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Os Riscos, Agravos e Vigilância em Saúde no Espaço de Desenvolvimento do Agronegócio no Mato Grosso

Autor: Wanderlei Antonio Pignati

Ano: 2007

Resumo:

RESUMO

O estudo teve como objetivo analisar as situações de riscos, os agravos e a vigilância em saúde-ambiente dos processos produtivos no espaço de desenvolvimento agro-industrial-florestal (cadeia produtiva do agronegócio) de Mato Grosso. O trabalho está organizado em uma introdução do tema, três artigos e considerações finais.
A metodologia integrou abordagens qualitativas e quantitativas adaptadas para cada pesquisa, as quais se concentraram em técnicas de elaboração de mapas de riscos, levantamento clínico-ocupacional, pesquisa-ação, análise de documentos e entrevistas, bem como em análise epidemiológica de dados secundários com enfoque ecológico-social.
Na introdução do trabalho descreveu-se a cadeia produtiva (desmatamento, indústria da madeira, agricultura, pecuária, transporte, armazenamento e agroindústria) e se caracterizou os potenciais riscos à saúde-ambiente de cada etapa do processo.
Nas pesquisas apresentadas nos artigos se investigou e se analisou os seguintes temas: a) o processo saúde-trabalho-doença nas indústrias madeireiras, relacionando-o com as situações de risco, os agravos à saúde e a organização sindical e estatal no controle de riscos ocupacionais; b) as práticas de vigilância à saúde-ambiente executadas no manejo de riscos de um “acidente rural ampliado” originário de derivas de pulverizações de agrotóxicos nas lavouras; c) a distribuição temporal do volume da produção agropecuária do estado, relacionando-a com o perfil de alguns agravos à saúde dos trabalhadores e da população e sua relação com o controle estatal e popular dos riscos à saúde-ambiente.
A visibilidade dos impactos deste processo produtivo na vida e saúde mostrou que cerca de 70% dos acidentes de trabalho ocorridos no Mato Grosso estavam relacionados às atividades do agronegócio, assim como a análise de outros agravos à saúde (intoxicações por agrotóxicos, neoplasias e malformações congênitas) indicou que estes foram induzidos pelo mesmo processo, sendo que em todos os casos, suas incidências acompanharam o aumento anual do “esforço produtivo”, ou seja, da produção agropecuárial/habitante.
Mostrou-se ainda, que os sindicatos dos trabalhadores não estavam fortalecidos para realizar o “controle social da saúde”, pois estes eram controlados pelo agronegócio. O Estado priorizou a vigilância à saúde dos animais e vegetais em detrimento da vigilância à saúde humana.
Considerou-se que este modelo de desenvolvimento agro-industrial-florestal cria uma rede de processos críticos ou de situações de riscos à saúde-ambiente que deverá ser tratado como problema de saúde pública, seja pelas implicações diretas de seus agravos à saúde-ambiente, seja pelos gastos sanitários e previdenciários custeados pela sociedade.


Palavras-chave: agronegócio, agravos à saúde, madeireiras, agrotóxicos, vigilância à saúde.