NEAST

RELATÓRIO DAS COLETAS E ANÁLISES DE AMOSTRAS AMBIENTAIS, ALIMENTOS EALGODÃO.

Dr.ª Adriana Werneck Regina
Prof.ª Dr.ª Haya Del Bel
Prof.ª Dr.ª Marcia L. Montanari Corrêa

2022

Resumo:

O tema dos agrotóxicos vem ganhando maior visibilidade no Brasil desde 2008 quando o país passa a ser o maior consumidor de agrotóxicos no mundo. Em virtude das mudanças estruturais nas políticas setoriais de registros e monitoramento do uso de agrotóxicos, em 2019 houve uma sequência de liberações de novos produtos por parte do governo, alvo de críticas dos movimentos sociais e instituições voltadas para saúde pública no Brasil, com ênfase para a atuação da Campanha Permanente de Luta contra os agrotóxicos e pela vida.

É oportuno fornecer à sociedade informações científicas e histórias reais da situação de contaminação nos primeiros estágios da cadeia de produção (no campo) e também entre consumidores (nas cidades), que também estão expostos aos agrotóxicos pelos alimentos que consomem ou pelas roupas, cosméticos e materiais de higiene feitos de algodão.

Neste sentido, o conceito de Territórios Saudáveis e Sustentáveis – TSS produz um deslocamento estrutural da vigilância em saúde no sentido da promoção da saúde integrando a vigilância epidemiológica, sanitária, da saúde ambiental e da saúde do trabalhador em uma prática de epidemiologia contextualizada a partir da determinação social da saúde e aos processos de territorialização das relações sociais decorrentes das dimensões do trabalho, cultura, soberania alimentar e ambiente (Machado, 2018).

Situado na bacia do Rio Juruena o município de Sapezal apresenta a maior área plantada de algodão do Brasil, cultura que recebe, por sua vez, as maiores quantidades de agrotóxicos no estado de Mato Grosso: cerca de 28.8 litros por hectare. Sozinho, Sapezal é responsável por 68% da produção de algodão no país. A região de entorno do município faz fronteira com as Terras Indígenas (TI) Utiariti e Pareci, da etnia Paresí e TI Tiracatinga da etnia Nambikwara (ISA, 2017).

O contexto de intensa carga de exposição e a organização territorial decorrente da cultura do algodão tem impactado na vida dos indígenas da região, além dos moradores das cidades e áreas rurais. Esse processo de desterritorialização se configura em uma ameaça a reprodução social da comunidade tradicional que vive e trabalha em contato e sob a pressão ambiental decorrente da organização e métodos de trabalho presentes na cadeia produtiva do algodão na região.

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