NEAST

Artigos

Autores (org.): Marcia Leopoldina Montanari Corrêa; Wanderlei Antônio Pignati; Marta Gislene Pignatti; Francco Antônio Neri de Souza e Lima.

Resumo
A exposição aos agrotóxicos demanda a ação integrada de prevenção, vigilância e controle na redução das consequências à saúde. O estudo analisou as  ações dos agentes governamentais e da sociedade civil na implementação das políticas públicas de saúde e ambiente quanto ao uso de agrotóxicos em municípios mato-grossenses. Realizou entrevistas com vinte e sete interlocutores, interpretadas por Análise de Conteúdo Temática, a partir da Teoria da Ação Comunicativa. As categorias analisadas, Vulnerabilidades na Saúde e Ambiente, Desafios das Políticas Públicas, Hegemonia política e econômica do agronegócio, evidenciaram as dificuldades na estruturação da atenção e vigilância em saúde, ausência de participação social e ausência de ações intersetoriais. Concluiu que a influência de representantes do agronegócio na ação política local contribui para invisibilização estrutural do tema.

Palavras-chave: Política Pública. Agrotóxicos. Saúde e Ambiente.

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Autores (org.): Mario Ribeiro Alves; Noemi Dreyer Galvão; Romero dos Santos Caló; Mariana Rosa Soares.

RESUMO
Objetivo: Analisar as distribuições de casos de câncer de Sistema Nervoso Central (SNC) no tempo e no espaço (estado de Mato Grosso), analisando possíveis explicações para a situação desta doença. Métodos: Estudo ecológico, a partir de municípios de notificação no estado de Mato Grosso. Foram calculadas taxas e construídos mapas temáticos para cada triênio de estudo. A varredura espaço-temporal foi feita para identificação de aglomerados de casos de câncer de SNC. Resultados: Ocorreram 1.608 casos de câncer de SNC, com maior quantidade de registros de 2013 a 2017. Quanto às taxas de incidência por triênio, de uma forma geral, observou-se redução em seus valores durante o período de estudo. Foram observados dois aglomerados, sendo o aglomerado 1 composto por 27 municípios e o aglomerado 2, por 6 municípios. Conclusão: Exposições ambientais, principalmente ligadas a agrotóxicos, podem explicar os resultados do presente estudo. Sugerem-se futuras pesquisas que analisem a associação entre exposições ambientais e câncer por SNC. Palavras-chave: Neoplasias do sistema nervoso central, Saúde coletiva, Exposição ambiental.

 

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Teses / Dissertações

Autora: Lucimara Beserra

RESUMO

Introdução – O território de Mato Grosso tornou-se estratégico para a produção agropecuária capitalista mundial. Essa cadeia produtiva, baseada hegemonicamente no modelo de produção de latifúndios monocultores, é químico-dependente de milhões de litros de agrotóxicos, e vem produzindo poluições  ambientais, agravos à saúde e processos de vulnerabilização para a população. Objetivo – Analisar o consumo de agrotóxicos na produção agrícola, a contaminação ambiental por agrotóxicos e os processos protetores e destrutivos no território escolar, como componentes da vulnerabilidade socioambiental nos municípios de Campo Novo do Parecis, Sapezal e Campos de Júlio, em Mato Grosso. Método – A partir do
referencial teórico-metodológico da Epidemiologia Crítica, realizou-se um estudo com abordagens quantitativas e qualitativas, de caráter participativo. A pesquisa foi realizada em seis escolas, uma escola rural e uma escola urbana nos municípios de Campo Novo do Parecis, Sapezal e Campos de Júlio, e contou com a formação de um Grupo Condutor em cada escola, composto de estudantes e um professor, que acompanharam e participaram do desenvolvimento da pesquisa. Com os Grupos Condutores foi realizada uma oficina de mapeamento da vulnerabilidade socioambiental do território escolar e foram coletadas
amostras de água de poços artesianos e chuva das seis escolas. As amostras coletadas foram analisadas para detecção de resíduos de agrotóxicos, pelo método de extração em fase sólida C-18, identificação e quantificação em cromatógrafo a gás acoplado a espectrômetro de massa (CG/EM), para nove ingredientes ativos: atrazina, lambda-cialotrina, endossulfam α, endossulfam β, malationa, metolacloro, metribuzim, permetrina, trifluralina. Resultados – Identificou-se no território escolar como principais processos e elementos protetores à vida: as escolas, as árvores e as atividades agrícolas próximas às escolas, pela produção de alimentos e geração de empregos. Entretanto, as áreas de plantio próximas às escolas, devido o uso de agrotóxicos, foi o processo destrutivo à vida elencado de forma predominante em todos os mapas. Nas amostras de poços artesianos foram detectados resíduos dos herbicidas atrazina (0,12 μg/L a 0,28 μg/L) e metolacloro (0,34 μg/L a 0,63 μg/L) em quatro poços artesianos, dos seis poços analisados. Nas amostras de chuva 55% apresentaram resíduos de pelo menos um tipo de agrotóxico entre os etectados (metolacloro, atrazina, trifluralina, malationa e metribuzim), tendo o metolacloro a maior frequência de detecção (86%) entre as amostras positivas. Conclusões – Os resultados das análises nas amostras ambientais demonstram que
os componentes hídricos e atmosférico dos ecossistemas nos municípios estão contaminados por agrotóxicos. Os elementos e processos protetores e destrutivos mapeados no território escolar, bem como as poluições evidenciadas na chuva e em água de poços artesianos, compõem as relações e os processos de vulnerabilização socioambiental das populações destes municípios, sendo relevantes para a atenção e atuação da Vigilância em Saúde nesses
territórios.


Palavras-chave: Agrotóxicos, vulnerabilidade socioambiental, avaliação participativa,
contaminação ambiental por agrotóxicos;

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Autora: Stephanie Sommerfeld de Lara

RESUMO

O Brasil é um grande produtor agropecuário que nas últimas décadas vem utilizando
agrotóxicos em larga escala no combate de patologias agrícolas, e consequentemente, ocupa a
liderança mundial do consumo. O estado de Mato Grosso é o maior consumidor nacional deste
tóxico, expondo os trabalhadores, a população rural e urbana a milhões de litros pulverizados
nas lavouras, as quais contaminam os alimentos, a água, o solo e todo ambiente do entorno.
Esta exposição humana aos agrotóxicos pode ocasionar a intoxicação aguda, um importante
problema de saúde pública que se tornou frequente no Brasil. Porém, a elevada subnotificação
dos casos impossibilita traçar o padrão de ocorrência nos territórios, bem como verificar a
conexão entre a produção agrícola do agronegócio, o consumo de agrotóxicos e o agravo.
Objetivou-se analisar o registro da intoxicação aguda por agrotóxicos e correlaciona-las com o
consumo de agrotóxicos na produção agrícola do agronegócio. Trata-se de um estudo
epidemiológico observacional, sendo o primeiro de desenho ecológico e o segundo descritivo.
Os dados secundários de produção agrícola foram obtidos SIDRA-IBGE referente ao ano de
2015. O consumo de agrotóxicos foi estimado através da metodologia de Pignati et al. (2017).
A notificação de intoxicação foi obtida do SINAN-MS no período de 2007 a 2016. Os
resultados demonstraram que no Brasil as intoxicações por agrotóxicos ocuparam o segundo
lugar dentre todas as exógenas, com crescente número de casos e incidência no decorrer dos
anos, apresentando elevada letalidade dentre todos agentes tóxicos. Foi associado
positivamente e significativamente o consumo de agrotóxicos e exposição ambiental com as
incidências médias de intoxicação por agrotóxicos agrícolas, tanto para as Unidades Federadas
quanto para os municípios de Mato Grosso. No segundo artigo, as intoxicações ocupacionais
em Mato Grosso ocorreram predominantemente com agrotóxicos Agrícolas e de Saúde pública.
Foi na lavoura de soja que houve o maior número de intoxicações ocupacionais, posteriormente
a de milho, arroz, pastagem e algodão. Houve 4 óbitos ocasionados pela exposição de
agrotóxicos agrícolas. Dos 141 municípios de Mato Grosso, 83 notificaram intoxicações
ocupacionais por agrotóxicos agrícolas e dos 54 municípios caracterizados como zona de
elevada plantação agrícola, 14 deles permaneceram silenciosos ao longo dos 10 anos. As
intoxicações por agrotóxicos Agrícola e usados na Saúde Pública ocorreram
predominantemente na forma acidental. Emitiu-se a CAT em 10% das intoxicações
ocupacionais notificadas pelo SINAN. Conclui-se que a intoxicação aguda por agrotóxicos
agrícolas está correlacionada o uso de agrotóxicos nos monocultivos agrícolas e exposição
ambiental a estes produtos nos municípios de Mato Grosso, sendo que a lavoura de soja
concentrou o maior número de intoxicações ocupacionais. Embora o registro das intoxicações
ainda seja incompleto em qualidade e quantidade, sugerimos que tais achados sejam utilizados
pela Vigilância em Saúde do Trabalhador e às Populações Expostas aos Agrotóxicos na
implantação e implementação de ações estratégicas nestes municípios com elevada produção
agrícola, consumo de agrotóxicos e casos de intoxicação aguda.

Palavras-chave: Exposição a Agrotóxicos, Intoxicação aguda, Exposição ocupacional,
Agronegócio, Vigilância em Saúde Pública.

 

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Autor: Wanderlei Antonio Pignati

RESUMO

O estudo teve como objetivo analisar as situações de riscos, os agravos e a vigilância em saúde-ambiente dos processos produtivos no espaço de desenvolvimento agro-industrial-florestal (cadeia produtiva do agronegócio) de Mato Grosso. O trabalho está organizado em uma introdução do tema, três artigos e considerações finais.
A metodologia integrou abordagens qualitativas e quantitativas adaptadas para cada pesquisa, as quais se concentraram em técnicas de elaboração de mapas de riscos, levantamento clínico-ocupacional, pesquisa-ação, análise de documentos e entrevistas, bem como em análise epidemiológica de dados secundários com enfoque ecológico-social.
Na introdução do trabalho descreveu-se a cadeia produtiva (desmatamento, indústria da madeira, agricultura, pecuária, transporte, armazenamento e agroindústria) e se caracterizou os potenciais riscos à saúde-ambiente de cada etapa do processo.
Nas pesquisas apresentadas nos artigos se investigou e se analisou os seguintes temas: a) o processo saúde-trabalho-doença nas indústrias madeireiras, relacionando-o com as situações de risco, os agravos à saúde e a organização sindical e estatal no controle de riscos ocupacionais; b) as práticas de vigilância à saúde-ambiente executadas no manejo de riscos de um “acidente rural ampliado” originário de derivas de pulverizações de agrotóxicos nas lavouras; c) a distribuição temporal do volume da produção agropecuária do estado, relacionando-a com o perfil de alguns agravos à saúde dos trabalhadores e da
população e sua relação com o controle estatal e popular dos riscos à saúde-ambiente.
A visibilidade dos impactos deste processo produtivo na vida e saúde mostrou que cerca de 70% dos acidentes de trabalho ocorridos no Mato Grosso estavam relacionados às atividades do agronegócio, assim como a análise de outros agravos à saúde (intoxicações por agrotóxicos, neoplasias e malformações congênitas) indicou que estes foram induzidos pelo mesmo processo, sendo que em todos os casos, suas incidências acompanharam o aumento anual do “esforço produtivo”, ou seja, da produção agropecuárial/habitante.
Mostrou-se ainda, que os sindicatos dos trabalhadores não estavam fortalecidos para realizar o “controle social da saúde”, pois estes eram controlados pelo agronegócio. O Estado priorizou a vigilância à saúde dos animais e vegetais em detrimento da vigilância à saúde humana.
Considerou-se que este modelo de desenvolvimento agro-industrial-florestal cria uma rede de processos críticos ou de situações de riscos à saúde-ambiente que deverá ser tratado como problema de saúde pública, seja pelas implicações diretas de seus agravos à saúde-ambiente, seja pelos gastos sanitários e previdenciários custeados pela sociedade.


Palavras-chave: agronegócio, agravos à saúde, madeireiras, agrotóxicos, vigilância à saúde.

 

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Autora: Nara Regina Fava

RESUMO

Os acidentes do trabalho estão relacionados com o processo de produção e fazem parte de estudos da
área de Saúde do Trabalhador. Na década de 60, com o processo de expansão da produção agrícola,
impulsionado pela Revolução Verde, as atividades econômicas dos países em desenvolvimento têm
adotado um modelo denominado agronegócio. Esse modelo produtivo se inicia com o desmatamento, a
exploração florestal, o preparo do solo para agropecuária no plantio, o trato, a colheita, o transporte, o
armazenamento e a agroindústria e em todas as fases observa-se a ocorrência de acidentes do trabalho.

Objetivou-se avaliar os indicadores de acidentes do trabalho e relacioná-los com a produção agropecu-
ária e econômica do agronegócio nas Unidades da Federação (UF) do Brasil e nos municípios de Mato

Grosso no período de 2008 a 2017. Trata-se de um estudo ecológico com base secundária dos dados da
produção da cadeia do agronegócio de Mato Grosso, dos indicadores econômicos e saúde do Brasil
(MT) e dos municípios de Mato Grosso. A população do estudo foi composta por trabalhadores(as)
formais das Unidades da Federação do Brasil e dos municípios de Mato Grosso. Para análise dos dados
foram calculadas as taxas de incidência, mortalidade e letalidade; para a tendência foi utilizado o ajuste

de modelos de regressão linear simples e o cálculo de variação percentual anual (VPA) e testes de cor-
relação considerando o nível de significância de 5%. Foram realizados mapas temáticos dos indicadores

de saúde e produção. No primeiro artigo, observou-se entre as UF, que o Mato Grosso apresentou a
maior taxa de mortalidade com 19,5 mortes/100 mil trabalhadores formais e a segunda maior taxa de
letalidade com 8,7 mortes/mil acidentes. Ao se comparar com as taxas do Brasil, a mortalidade foi o
triplo, enquanto a letalidade foi o dobro da média nacional, do total dos acidentes do trabalho, entre
2008 a 2017. Identificou-se a redução na taxa de incidência por acidente do trabalho (AT) de 23,6/mil
trabalhadores em 2008 para 14,3, em 2017 e a mortalidade foi de 8,8 mortes/100 mil trab. para 5,5 no

período. A maior taxa de incidência dos AT relacionada ao agronegócio foi em Alagoas com 37,9, se-
guido de Mato Grosso com 30,4 e Rondônia com 30,3; a maior taxa de mortalidade encontra-se no

Amapá com 41,6/100 mil trab., seguido de Rondônia com 32,8 e Mato Grosso com 31,8; a maior leta-
lidade foi em Tocantins com 18,4 mortes/mil AT, seguido de Roraima com 16,2 e Amapá com 15,5. O

agronegócio destacou-se com o maior valor percentual anual (VPA) decrescente dos AT (-5,5%), ao
contrário do VPA para o PIB nacional com acréscimo de 13,4%. Encontrou-se correlação positiva e
significativa entre as taxas de incidência do agronegócio (r=0,509; p=0,007) e a indústria (r=0,412;
p=0,033), com o valor adicionado bruto (VAB) da agropecuária, e correlação positiva entre as taxas de
incidência do comércio (r=0,480; p=0,011) com o PIB nacional. O segundo artigo identificou tendência
de aumento no VPA do esforço produtivo (hectare/habitante) de 7,34%, esforço produtivo (exposição
agrotóxico/habitante) de 6,23%, internações por neoplasias de 6,24% e mortalidade por neoplasias de
3,06%, este aumento também acompanhou o VAB da agropecuária que foi de 19,8%. Identificou-se que
nas atividades econômicas do agronegócio estão concentrados os maiores percentuais de AT, sendo o

primeiro em frigorífico (16,9%), o segundo na agricultura (12,3%) e o sexto na pecuária (3,5%), mos-
trando correlações positivas entre taxas de incidência, mortalidade e letalidade de AT (=0,306; p=0,001,

r=0,366; p=0,001, r=0,388, p=0,001), respectivamente, com o valor adicionado bruto (VAB) da agro-
pecuária e a tendência crescente da produção agrícola, dos insumos agrícolas e dos agravos à saúde.

Entre as maiores taxas de incidências, mortalidades e letalidade por AT estão os maiores produtores
agropecuários (Paranatinga, Barra do Garças, Alta Floresta, Sorriso, Brasnorte, Querência, Barão de

Melgaço, Confresa e Castanheira) do Mato Grosso e que 58,4% dos AT estão relacionados ao agrone-
gócio. Conclui-se que os acidentes do trabalho ocorrem em todos os setores da economia, de modo geral

relacionados as atividades desenvolvidas nos setores agroflorestal e pecuária do agronegócio, extrati-
vismo mineral, construção, indústria, transporte e comércio, visto que, as maiores taxas se encontram

nas UF em que uma dessas atividades econômicas predominam. A redução da tendência nas taxas dos
AT poderá ser considerada pelos efeitos da globalização, da modernização nos processos de trabalho,

da informalidade e do subemprego, que contribuem para o aumento das subnotificações no Brasil. Deste

modo, estes resultados podem subsidiar a elaboração de estratégias que fortaleçam a Vigilância em Sa-
úde do Trabalhador em todo território nacional visando à promoção e prevenção de AT nos setores de

maior acidentalidade.
Palavras-chave: Acidente do Trabalho, Agronegócio, Vigilância em Saúde, Trabalhador.

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Livros

Autores (org.): Pablo Cardozo Roccon; Alane Andréa Souza Costa; Haya Del Bel; Wanderlei Antônio Pignati; Marcos Aurélio da Silva .

APRESENTAÇÃO
O livro que lhe convidamos a ler, se insere nas produções do projeto de extensão e inovação “Curso de Formação Básica em Agrotóxicos, Ambiente e Saúde”, executado pelo Núcleo de Estudos Ambientais e Saúde do Trabalhador (NEAST) do Instituto de Saúde Coletiva (ISC) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) em parceria com a Procuradoria Regional do Trabalho de Rondonópolis, do Ministério Público do Trabalho da 23º Região.
A produção desta coletânea é fruto do trabalho de muitas mãos e braços empenhadas em analisar os efeitos destrutivos da cadeia produtiva do agronegócio brasileiro na saúde humana, ambiental e dos(as) trabalhadores. Como objetivo, se propõe a partir da socialização do conhecimento fomentar debates e processos formativos com trabalhadores(as) das diversas políticas públicas, do Ministério Público, Poder Judiciário, movimentos sociais e sindicais.
Nessa direção, lhe convidamos a ler os 18 (dezoito) capítulos cuidadosamente produzidos por pesquisadores(as) da UFMT e de outras universidades e estados da federação. Os capítulos apresentam um empenho em discutir: o cenário atual das contaminações por agrotóxicos no ambiente, nas águas, nas populações e classe trabalhadora; os desafios para atuação do poder judiciário e do ministério público e a produção de uma vigilância popular; as contribuições que saberes plurais, ancestrais e originários para o enfrentamento da realidade de destruição socioambiental analisada…

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Autores (org.): WANDERLEI ANTONIO PIGNATI; MARCIA LEOPOLDINA MONTANARI CORRÊA; LUÍS HENRIQUE DA COSTA LEÃO; MARTA GISLENE PIGNATTI; JORGE MESQUITA HUET MACHADO.

Em um momento de grande confusão conjuntural e climática, chega um livro que traz um olhar inabalável sobre as condições políticas, a ganância e a irracionalidade que sustentam o avanço do agronegócio. Num momento de profunda desinformação, surge esta análise, informada pelo conhecimento científico fundado nas experiências universitárias e comunitárias que nos convidam a resgatar aspectos essenciais da nossa vida: a nossa alimentação, as nossas florestas, a terra, a água, a nossa dignidade e saúde. Em uma época de crescente individualização e privatização de nossas vidas, brilha este exemplo de ambição coletiva, de compartilhamento de conhecimento através das fronteiras e, assim, se desvendam as contradições e conflitos em uma região  distinta que tem significado econômico e ambiental global. Conexões importantes são iluminadas aqui: entre dano ecológico e trabalho análogo ao escravo; expansão insaciável de commodities agrícolas e problemas de saúde; a apropriação de terras e o empobrecimento; luta social e novas possibilidades de produção de alimentos; o leitor e o mundo ao seu redor.
Em um momento de incertezas pessoais, sociais e climáticas, chega um livro marcado pela dedicação e consistência que é típica dos colaboradores – muitos dos quais tive o privilégio de conhecer. Se quisermos construir um futuro digno dos sacrifícios feitos por tantos que nos precederam, muitas das lições, valores e práticas que são compartilhados neste importante livro devem ser levados nesta jornada.

Brian Garvey
Departamento do Trabalho,
Emprego e Organização
Universidade de
Stratchclyde, Glasgow

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Autores(as) (org.): Haya Del Bel; Marcos Aurélio da Silva; Márcia Leopoldina Montanari Corrêa; Wanderlei Pignati.

O livro apresenta uma investigação aprofundada sobre a cadeia produtiva do algodão na Bacia do Rio Juruena, analisando riscos ocupacionais, vulnerabilidades socioambientais e implicações no processo saúde-doença de trabalhadores(as), povos indígenas e demais populações do território. A pesquisa integrou métodos qualitativos e quantitativos, com levantamento de indicadores sanitários, sociais, demográficos e ambientais, análises de resíduos de agrotóxicos e metais pesados, oficinas de cartografia e processos formativos com educadores da rede pública.

Estruturada em duas partes — “Da teoria à pesquisa” e “Da pesquisa à produção” — a publicação articula referenciais da determinação social da saúde, cartografia crítica e análise da territorialização do agronegócio. O estudo evidencia a expansão da cotonicultura mecanizada e químico-dependente em municípios como Sapezal e Campo Novo do Parecis, discutindo incentivos fiscais, uso intensivo de agrotóxicos, impactos ambientais, insegurança alimentar e desigualdades socioterritoriais.

Ao deslocar o olhar “do campo ao corpo”, a obra reafirma a centralidade dos territórios na produção da saúde e explicita as tensões entre modelos de desenvolvimento, modos de vida e sustentabilidade. O lançamento fortalece o compromisso do ISC/UFMT com a produção de conhecimento crítico e socialmente referenciado, contribuindo para o debate público e para a formulação de políticas voltadas à promoção de territórios saudáveis e sustentáveis em Mato Grosso.

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Cartilhas e outros

Autoras: Franciléia Paula de Castro; Lucinéia Miranda Freitas; Marcia Leopoldina Montanari Corrêa; Naiara Andreoli Bittencourt .

 

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Autores: Vinícius Camargo Caetano; Karla Rodrigues Mota; Edson Caetano; Daniele Trevisan.

Esta cartilha foi elaborada como parte do projeto “Promoção de Territórios Saudáveis e Sustentáveis no Mato Grosso”, vinculado ao Núcleo de Estudos Ambientais e Saúde do Trabalhador (NEAST/UFMT) e executado pelo Instituto de Saúde Coletiva (ISC/UFMT) e pelo Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Trabalho e Educação (GEPTE/UFMT), no âmbito do projeto de extensão “Educação, Cuidado e Saberes Tradicionais sobre Plantas Medicinais na Comunidade Quilombola do Chumbo (Poconé/MT)”, com financiamento do Ministério Público do Trabalho de Mato Grosso e da Universidade Federal de Mato Grosso.
A proposta nasceu do desejo de unir educação, saúde, natureza e cultura tradicional em um mesmo caminho formativo, valorizando o papel das crianças como “pequenos cuidadores de territórios tradicionais”. Mais do que um material pedagógico, esta cartilha é um convite a um olhar sensível sobre o
lugar onde se vive — as águas, o solo, as plantas, os animais e as histórias das pessoas que compõem a Comunidade Quilombola do Chumbo.

Baixar Mídia: Pequenos-Cuidadores-dos-Territorios-Tradicionais 26-10-2025